quarta-feira, 19 de maio de 2010

Candido News Número 10

EDITORIAL

O CANDIDO NEWS chega ao seu nº 10 trazendo matérias envolvendo o tema “Vida Noturna”. Cidades grandes como Rio de Janeiro e Niterói têm uma verdadeira cultura noturna, com suas personagens e seu jeito peculiar de existir. As matérias elaboradas pelos alunos da turma de EDIÇÃO visam desenvolver o processo de pesquisa e de apuração jornalística, envolvendo a vida acadêmica e ampliando o conhecimento a respeito de cidades como Rio e Niterói.


Depois que todo mundo dormiu
A rotina maluca de um profissional de clipping

Emiliano Mello

As luzes dos escritórios são apagadas pelos últimos funcionários, marcando o fim de mais um expediente no centro do Rio. Nas ruas, o trânsito se dissolve. Os pedestres, poucos, seguem viagem de volta para seus lares. A cidade, frenética durante o dia, se acalma. Mas um prédio na rua Primeiro de Março teima em permanecer acordado. No relógio, as 22 badaladas; hora em que os funcionários começam a chegar para mais uma jornada de trabalho.

Estamos na Spectra, empresa responsável pelo clipping de notícias de diversos clientes corporativos. Nela, o serviço é feito em três turnos, o que garante uma operação de 24 horas por dia, sete dias por semana. André Gomes trabalha no turno da madrugada. Sua rotina começa às 22h, mas por conta da universidade, chega meia hora depois – sonha em ser advogado, está no Curso há dois anos.

Na empresa, o trabalho é corrido. Ao chegar, ele pega os jornais do dia seguinte recém saídos das rotativas, quentes como pães da primeira fornada, e os separa por regiões: os de São Paulo para um lado, Rio para o outro. Em seguida, desmembra cada periódico seguindo uma ordem pré-estabelecida, separando os cadernos e as devidas editorias. A regra é para facilitar o trabalho de escanear as páginas, tarefa seguinte. Com os jornais digitalizados, André começa o minucioso trabalho de garimpagem de notícias de acordo com o interesse de cada cliente. E é aí que ele lança mão do OCR (Optical Character Recognition), ou Reconhecimento Ótico de Caracteres, poderosa ferramenta que varre o documento em busca de palavras-chave definidas pelo usuário. O trabalho se estende por horas, até que sejam catalogadas todas as matérias. Há dias em que não sobra muito tempo para comer, forçando-o a fazer um lanche em frente ao computador. Há dias tranquilos também, em que dá até para tirar uma soneca. É uma rotina incerta, mas livre de patrões, que dormem os sonos dos deuses em suas casas.

Os primeiros raios solares forçam passagem entre as frestas da persiana. Lá fora, barulhos começam a ganhar frequência, som que traz também o rapaz da entrega do café da manhã: pão com manteiga, café preto ou com leite. Modesto. É hora de encerrar o expediente. Com a tarefa cumprida, André toma dois copos de café com leite, pega o jornal Extra e segue para casa, fazendo o caminho inverso dos que seguem para mais um dia de trabalho. Logo mais ele retoma a rotina.



O Trio da Noite

André Luiz Coutinho

Um dia tem 24 horas, doze horas de dia e outras doze de noite. O chamado horário comercial, dura mais ou menos, das 8 da manhã, até às 18 horas. Porém tem gente que se aventura em jornadas de trabalho bem mais tarde. São vigias noturnos, porteiros, garçons, taxistas, músicos, médicos e enfermeiros.

Recentemente pude acompanhar o trabalho de uma equipe de enfermagem que transporta pacientes de um hospital para o outro. O pequeno grupo, formado por um motorista e maqueiro, um médico, que também é co-piloto e uma enfermeira, que deve ter bastante paciência para lidar com os enfermos mais teimosos. Foi quando a minha mãe teve uma suspeita de enfarte e foi atendida na emergência de um hospital lá de Copacabana. Ela precisava ser internada, mas o nosso convênio médico não foi aceito e ela teve que ser transferida para um outro hospital, dessa vez no centro da cidade.

E é ai que entra em ação o trio de trabalhadores noturnos, primeiro o médico pegou as informações sobre o estado clinico da minha mãe com o colega do hospital. Depois chegou o motorista, por enquanto atuando como maqueiro, seria ele o responsável por levar a minha genitora até a ambulância. Bem humorado, apesar de estar trabalhando naquele horário ingrato, ele fez piada com o paciente do leito ao lado. Um sujeito com problemas mentais que nesse momento parecia pilotar um carro imaginário, com direito a passagem de marcha e tudo. Logo depois chegou a enfermeira, retirando o soro e preparando minha mãe para o translado.

Rapidamente saímos rumo ao outro hospital. Foi uma sensação estranha, estar dentro de uma ambulância. Nessa hora o maqueiro virou motorista e o médico seu co-piloto. Só faltou eles ligarem o giroflex (popular sirene), mas não seria necessário, pois o trânsito da madrugada fluía bem, com poucos carros na rua, na maioria taxistas.

Ao chegar no hospital, no centro do Rio, em poucos minutos minha mãe já estava devidamente acomodada no novo leito, no maior conforto possível. Só deu tempo de agradecer a um deles, o médico, com aperto de mão. Pois o trio já partia rumo a outra missão naquela madrugada quente de verão.


Vida Noturna
Sinônimo de diversão para uns e trabalho para outros

Daniel Luiz da Rocha Vaz

A noite para muitos, pode ser sinônimo de diversão. Porém há diversos brasileiros, que trabalham e ganham o seu sustento, criando hábitos que são recompensados, por um adicional noturno que ajuda o orçamento familiar.

Casas noturnas, bares e cinemas são lugares que logo associa-se a vida noturna. O estacionamento de um shopping, também é uma estrutura que funciona à noite. A excelência nesse serviço pode gerar conforto ou desconforto para os clientes do shopping e clientes que precisam guardar o seu veiculo em um local seguro de fácil acesso.

Para quem trabalha nesta estrutura, no turno da noite, das 4 da tarde à meia-noite, requer muita paciência e atenção. Além das oito horas diárias em um local de temperatura elevada e desagradável cheiro de combustível. Nos finais de semana, que para muitas pessoas é um momento de descontração, para manobristas, operadores de caixa, auxiliares de estacionamento e os vigilantes, significa os dias de mais trabalho e estresse; pois a falta de educação e o excesso de bebida alcoólica dos clientes, dificultam o trabalho. Os funcionários têm uma hora de almoço que passa rapidamente no ritmo frenético de carros entrando e saindo.

As dificuldades não param por aí, na volta para casa, os funcionários precisam de atenção contra os assaltos e na madrugada e a falta de condução, para determinadas partes da cidade. O atraso no fechamento do estacionamento, pode ser o tempo do ônibus sair e o trabalhador ter que esperar por no mínimo uma hora para chegar em casa.

Apesar de todas dificuldades, todo trabalhador após as 22 horas, tem direito ao adicional noturno que é um benefícios para quem trabalha na madrugada. Este benefício e um pequeno aumento no orçamento familiar, explica porque que muitos preferem trabalhar neste turno para melhorar a renda, principalmente os casados que têm filhos. Assim todo aumento é bem vindo.


Esportes radicais no Parque da Cidade
A vista mais bonita de Niterói é ponto turístico mais visitado da cidade

Renan Barreto

Niterói é uma cidade que não deve em nada ao Rio de Janeiro em termos de belezas naturais. O niteroiense tem boas opções para se divertir tanto durante o dia quanto à noite. As praias da cidade são referências no Estado como Camboinhas e Itacoatiara, mas não é só de praia que a “cidade sorriso” vive. No ponto em frente a Baía de Guanabara, com uma das vistas mais belas de Niterói, o cidadão pode se divertir no Parque da Cidade e se tiver coragem pular de parapente.

O conhecido Parque da Cidade é a Reserva biológica e florestal do município, localizado no alto do morro da Viração, numa altitude de 270 m, ocupando uma área de 149.388,90 m², foi inaugurado em 21 de Setembro de 1976. No local existe uma fonte natural e um mirante. Dele pode-se ter uma visão panorâmica das Lagoas de Piratininga e Itaipu; das Praias de Piratininga, Itaipu e Camboinhas, dos bairros de São Francisco, Jurujuba, Charitas e Icaraí entre outros, da Baía de Guanabara, em toda a sua extensão e do mar aberto, até onde a vista consegue alcançar. “O parque da Cidade ´um dos melhores lugares que um Niteroiense pode visitar”, diz Alencar (55) morador da região.

Esportes radicais

Para aqueles que não gostam apenas de contemplar a natureza, há também a opções de se jogar, literalmente, da montanha. Instrutores de vôo com parapentes estão à disposição de acordo com seus horários para praticarem o esporte. Quem quiser participar dos vôos, basta marcar hora com um dos professores. E para quem não gosta de ficar com a cabeça nas nuvens, não há problema, pois podem ficar com os pés no chão e se divertir da mesma forma. Para quem gosta de caminhar em trilhas no meio da mata, o Parque da Cidade é um prato cheio.

O visitante não pode esquecer que o Parque tem horário de funcionamento que vai de 8h às 18h. E a vista noturna no parque é imperdível.


Trabalho noturno traz benefícios e malefícios
O trabalho noturno pode ser prejudicial à saúde
Vivian Bastos



O trabalho noturno é reconhecido por poucas pessoas, isto pelo fato de que enquanto chega a hora de muitos trabalhadores encerrarem seus expedientes, na maioria das vezes às 18 horas, e irem para suas casas descansarem para o próximo dia, é hora dos trabalhadores noturnos começarem suas jornadas. Esses profissionais trocam o dia pela noite e normalmente recebem salários diferenciados por terem direito ao chamado “adicional noturno”, que é no mínimo 20% sobre o valor da hora diurna, isso porque a legislação brasileira prevê alguns malefícios para esse tipo de trabalhado e garante o benefício como forma de compensação.

Para cada profissão existem profissionais que precisam trabalhar à noite, e em Niterói é cada vez mais comum estabelecimentos como postos de gasolina, farmácias, lojas de conveniência e redes de supermercado funcionarem 24 horas. Além disso, longe de ser uma opção, trabalhar no turno da noite faz parte da rotina de profissionais como médicos plantonistas, enfermeiros, vigilantes, garis, entre tantos outros.

Todos esses profissionais são importantes para a economia da cidade de Niterói, que mesmo sem a percepção de todos, prestam um bom serviço para a população, porém, sem notarem prejudicam suas saúdes. De acordo com o estudo da Unidade do Sonho de Barcelona e do Serviço de Neurofisiologia do Hospital da Paz de Madri, os profissionais que atuam no turno da noite perdem cinco anos de vida para cada quinze anos trabalhados. Além disso, eles têm 40% mais chances de apresentar problemas cardiovasculares, neuropsicológicos e digestivos. É hora das empresas se preocuparem com a saúde de seus funcionários e promoverem ações para a melhoria das condições para os trabalhadores noturnos.


Transporte noturno
Viajando na calada da noite...
Thiago Marques Coelho

A vida nas grandes cidades não cessa durante as noites, com os transportes não é diferente. O ritmo em relação ao dia até diminui, influenciado pelo baixo fluxo de passageiros. Porém, as barcas, que ligam Niterói ao Rio de Janeiro, os ônibus da cidade, intermunicipais e principalmente os táxis são bastante procurados à noite. Os transportes alternativos como moto-taxi e vans também estão sempre a postos para atender as necessidades do homem.

No caso dos ônibus, as principais linhas que circulam pela ‘’cidade sorriso’’ optam em trabalhar com quatro equipes, em cada uma delas um motorista e um cobrador ou até mesmo o motorista/cobrador. Fiscais ficam parados nos pontos finais para controlar o tempo das viagens. Em especial, os passageiros que necessitam utilizar o ônibus na madrugada para atravessar a ponte encontram alguma dificuldade. Até pouco tempo atrás a única linha que fazia o trajeto após a meia-noite era o 100, da Mauá, que sai do terminal e vem da Praça 15, no centro do Rio. Agora a novidade é o 996 – Gávea, da 1001, o coletivo passa, em tese, de 30 em 30 minutos pelos pontos.

As barcas são o principal meio de transporte dos moradores de Niterói na parte do dia, sem dúvida, quase um milhão de pessoa utilizam o transporte marítimo para trabalhar. Os principais horários são (7h às 10h) e (17h às 20h). Entretanto, a companhia Barcas S.A constatou que um número significativo de pessoas viajam após à meia noite, os intervalos são maiores, ao contrário do dia que saem embarcações de 20 em 20 minutos, na madruga o período chega ultrapassar uma hora.

Se beber, vá de táxi...

O maior beneficiado com a Lei Seca foram os taxistas, com essa nova medida imposta à sociedade, o táxi acaba sendo o melhor remédio contra acidentes e o transporte mais seguro, principalmente à noite. As cooperativas de táxi calcularam um aumento de quase 300% nas solicitações, após a lei entrar em vigor. O motorista prefere não correr o risco de passar alcoolizado nas blitz, consequentemente perde a carteira de habilitação e é obrigado a pagar as corridas de táxi com bandeira 2. Chamado de taxímetro, o aparelho no qual contabiliza o valor a ser pago, aumenta consideravelmente no período da noite.

Outros transportes classificados como alternativos: vans e moto-taxi, mesmo proibidos, trafegam livre na calada da noite. O principal usuário é a população de baixa renda, que prefere andar num automóvel sem segurança, pois são capazes de deixá-los mais pertos das residências.

O importante é frisar que enquanto muitos dormem, existem pessoas nos transportes coletivos indo ou voltando do trabalho.

Expediente

Reitor
Candido Mendes

Pró-Reitor de Coordenação e Expansão
Prof. Alexandre Gazé

Diretor do Campus Niterói
Prof. José Carlos Oliveira

Gerente da PRCE
Alexandre Gazé Filho

Coordenação do Curso de Comunicação Social
Karen Calixto

Professor Orientador e Criador da publicação
Marcos Antonio de Azevedo Monteiro

Criação e desenvolvimento da publicação
Renan Barreto


UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES NITERÓI


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